• Conheça nosso jeito de fazer contabilidade

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vestibulum sit amet maximus nisl. Aliquam eu metus elit. Suspendisse euismod efficitur augue sit amet varius. Nam euismod consectetur dolor et pellentesque. Ut scelerisque auctor nisl ac lacinia. Sed dictum tincidunt nunc, et rhoncus elit

    Entenda como fazemos...

Notícia

O que esperar da inflação de Serviços em 2026? Preços devem desafiar o IPCA

Os preços elevados em serviços serão compensados por outros componentes da inflação. No entanto, não dá para esperar alívio suficiente para que a inflação geral tenha uma convergência mais rápida

O preço dos serviços, que foi um dos principais entraves para a queda da inflação em 2025, deve permanecer em alta ao longo de 2026. Segundo a análise do economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), o setor continuará registrando altas, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pelo aumento da renda disponível das famílias brasileiras.

Dias afirma, porém, que não dá para esperar alívio suficiente nos preços de Serviços para que a inflação geral tenha uma convergência mais rápida para a meta – o que poderia ajudar o Banco Central a diminuir a taxa básica de juros, a Selic, em um ritmo maior.

Comparação entre indicadores de 2025 e projeções para 2026
2025* Projeção para 2026**
Inflação (IPCA) geral 4,26% 3,90%
Inflação de Serviços 6,01% 5,5% a 6%
Selic 15% 12,5% a 13%

Fonte: *IBGE – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo / ** FGV-Ibre

O impacto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve ser compensado por outros componentes – ou seja, enquanto serviços permanecerão com preços altos, outros indicadores devem ter queda.

Mercado de trabalho e renda seguram alta

Para 2026, a principal hipótese é de que os preços de serviços continuem sob pressão. O fator primordial para esse comportamento é o nível de desemprego baixo, que resulta em um número maior de pessoas com renda e, consequentemente, em uma atividade econômica mais intensa.

IPCA – Variação mensal e acumulada no ano em Serviços
Variação em Dezembro (%) Variação acumulada em 2025 (%)
IPCA geral 0,33 4,26
Índice de serviços 0,72 6,01
Alimentação fora do domicílio 0,6 6,97
Aluguel residencial 0,34 6,06
Condomínio 0,51 5,14
Mudança -2,14 2,56
Mão de obra 0,66 7,41
Consertos e manutenção 0,88 6,84
Passagem aérea 12,61 7,85
Transporte escolar 0 4,23
Transporte por aplicativo 13,79 56,08
Seguro voluntário de veículo 0,89 -5,67
Conserto de automóvel 0,47 6,94
Estacionamento 0,19 6,42
Pintura de veículo 0,96 7,71
Aluguel de veículo 4,54 4,28
Serviços médicos e dentários 0,85 7,68
Serviços laboratoriais e hospitalares 0,35 5,51
Costureira 1,46 5,02
Manicure 1,14 9,93
Empregado doméstico 0,48 5,36
Cabeleireiro e barbeiro 1,28 8,05
Depilação 1,01 7,85
Despachante 0,3 -0,33
Serviço bancário 0 3,22
Sobrancelha 0,75 6,8
Clube 0,2 10,07
Tratamento de animais (clínica) -0,22 4,56
Casa noturna 0,22 9,61
Hospedagem -3,1 9,61
Pacote turístico 2,47 7,09
Serviço de higiene para animais 1,7 7,68
Cinema, teatro e concertos 1,09 7,02
Cursos regulares 0 6,54
Cursos diversos 0,2 5,67
Plano de telefonia móvel 0 2,82
Tv por assinatura 0 4,28
Acesso à internet 0 0
Serviços de streaming 0 6,37
Combo de telefonia, internet e tv por assinatura 0 1,3

Fonte: IBGE – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2% nos três meses até novembro, menor nível desde 2012. A estimativa era de 5,4%.

De acordo com Matheus Dias, essa dinâmica pressiona diretamente o grupo de serviços. “É uma inflação que está relacionada à atividade econômica. Se a gente for destrinchar, a gente vai ver que a alimentação fora do domicílio ficou pressionada ao longo de todo o ano, mesmo com a inflação de alimentos em desaceleração. Isso tem relação com a sofisticação do consumo devido ao aumento da renda”, avalia.

Outros itens que compõem a inflação de serviços e que podem mostrar a dinâmica dos preços ao longo do ano são passagem aérea, turismo e hospedagem. Segundo Dias, a variação registrada em 2025 mostra que, com mais dinheiro no bolso, muitas pessoas procuraram viajar. Isso refletiu em aumento de 7,85% no acumulado do ano em passagem aérea; 9,61% em hospedagem e 7,09% em pacotes turísticos.

Juro alto e a inflação de serviços

Embora os brasileiros estejam com “o bolso mais cheio”, a taxa básica de juro, atualmente em 15%, ainda foi um fator impeditivo para o sonho da casa própria. Segundo Dias, mais pessoas se mantiveram em contratos de aluguel e, com maior procura, a inflação deste item acumulou alta de 6,97% em 2025.

Consertos e manutenção também tiveram alta, possivelmente porque os brasileiros preferiram consertar e manter o que já tinham em vez de trocar os produtos. A inflação acumulada foi de 6,88% em 2025.

Isenção do IR será ‘fagulha’ para elevar preços

Além do emprego, um fator novo em 2026 deve injetar ainda mais fôlego na demanda: o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), que pode levar a um “choque de consumo”.

A partir deste ano, quem ganha até R$ 5 mil não vai pagar imposto de renda, e quem recebe até R$ 7.350,00 mensais terá descontos escalonados em relação ao imposto que pagava anteriormente. Antes, a isenção era para quem recebia até dois salários mínimos (R$ 3.036).

A estimativa é de que 14 milhões de pessoas sejam beneficiadas, gerando um valor disponível que tende a ser direcionado para o consumo de serviços, como restaurantes, cabeleireiros e empregados domésticos, segundo Dias.

Alta expressiva nos transportes por aplicativo

Os dados de 2025 mostram a base elevada de onde o setor parte. O item Transporte por aplicativo foi o grande destaque, com uma alta acumulada de 56,08% no ano. Esse aumento é atribuído à forte demanda, reajustes de taxas pelas empresas e custos de combustíveis.

Segundo Dias, o aumento do transporte por aplicativo também está relacionado ao mercado de trabalho e à renda em alta. Isso porque, com mais oportunidades de emprego estável, quem está na informalidade e pretende sair deste perfil de trabalho pode migrar com mais facilidade, diminuindo a oferta de motoristas disponíveis.

Por outro lado, há maior demanda, porque mais pessoas podem pagar pela comodidade de usufruir do transporte por aplicativo.

Considerando que em 2026 é esperado que o mercado de trabalho siga em alta, e haverá oportunidades de maior renda, a tendência é que este item siga com os preços elevados.

O que esperar para 2026

Com a inflação de serviços fechando 2025 em alta, o brasileiro pode preparar o bolso para pagar as despesas de início de ano, que devem pesar no orçamento em geral.

O primeiro semestre costuma ter gastos com educação, e o IPCA de serviços mostra que cursos regulares subiram 6,54% em 2025. Serviços médicos e dentários, além de despesas com turismo e férias, também pressionam o início do ano.

Eventos específicos, como a Copa do Mundo, podem gerar picos temporários em bares, restaurantes e transportes por aplicativo próximo às datas dos jogos, mas o economista acredita que será um efeito pontual, qie deve se diluir ao longo do ano, sem pesar no IPCA geral.

Embora os serviços continuem em patamares elevados, o cenário para o IPCA geral em 2026 aponta para uma convergência gradual à meta. Em parte, segundo Dias, devido aos preços de bens e produtos. O economista afirma que a importação de produtos, principalmente da China, tem sido um fator determinante para manter os preços de certas mercadorias em patamares mais baixos.

Projeções

A projeção da FGV-Ibre para o fim de 2026 é de um IPCA de 3,9%. No entanto, Matheus Dias alerta que os serviços não devem ajudar nesse processo de queda. “Os serviços não vão ajudar a inflação a cair. Não vai ter alívio suficiente nos serviços para que a gente tenha uma convergência mais rápida para a meta”.

A manutenção dessa pressão pode influenciar o ritmo de queda da Selic. A expectativa é que os cortes na taxa de juros comecem no primeiro trimestre de 2026, com a taxa encerrando o ano entre 12,5% e 13%.

O cenário ainda pode ser alterado por fatores externos e incertezas políticas. Eventos geopolíticos que afetem o preço do petróleo e a volatilidade do câmbio em ano eleitoral são pontos de atenção que podem impactar os preços monitorados e a inflação como um todo, alerta o economista.