• Conheça nosso jeito de fazer contabilidade

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vestibulum sit amet maximus nisl. Aliquam eu metus elit. Suspendisse euismod efficitur augue sit amet varius. Nam euismod consectetur dolor et pellentesque. Ut scelerisque auctor nisl ac lacinia. Sed dictum tincidunt nunc, et rhoncus elit

    Entenda como fazemos...

Notícia

Negócios: A sua atividade gera valor?

A competitividade não reside apenas em oferecer o menor preço, mas na eficiência com que a empresa transforma percepção em receita

Será que investir em marketing é realmente tão importante assim? Em um ambiente de margens pressionadas, crédito caro e concorrência cada vez mais profissionalizada, muitos empresários ainda enxergam o marketing como uma despesa supérflua, sobretudo quando não conseguem associá-lo a resultados imediatos. Quando o caixa aperta, ele costuma ser uma das primeiras linhas a sofrer cortes. Em outros casos, é reduzido à ideia simplista de propaganda, de "boca a boca" ou de algo que pode ser executado por qualquer pessoa minimamente familiarizada com redes sociais, inclusive aquele parente que "entende de internet".

Esse diagnóstico revela mais do que um problema orçamentário; ele aponta para um corriqueiro problema conceitual. Parte significativa do empresariado ainda não compreende a natureza do marketing e, quando decide investir, frequentemente o faz de maneira equivocada. A consequência é previsível: resultados inconsistentes que reforçam a crença de que o investimento foi um erro. Cria-se, assim, um ciclo vicioso no qual a falta de compreensão gera más decisões, que por sua vez confirmam a desconfiança inicial do gestor.

Para romper essa inércia, é preciso resgatar os fundamentos. Há décadas, o professor Philip Kotler, referência máxima, considerado carinhosamente o Papa da área, define o marketing como um ramo da economia aplicada. Ao enquadrar a disciplina dessa forma, Kotler desloca o pensamento da estética da comunicação para o campo da estratégia econômica, voltado à criação de valor. Não se trata apenas de anunciar, postar ou impulsionar conteúdos, mas de compreender como um produto ou serviço se torna valioso na percepção do cliente.

O problema é que, com a popularização de cursos duvidosos de marketing digital focados apenas em performance, parte essencial desse conceito se perdeu. Métricas como impressões, curtidas e volume de leads passaram a ocupar o centro da discussão, como se fossem fins em si mesmas; mas marketing não existe se não houver geração de valor. Evidentemente, indicadores são importantes, mas quando o foco se restringe aos números frios, o conceito de valor desaparece do horizonte. Perde-se então aquilo que é o coração da estratégia. Produz-se movimento, mas não necessariamente relevância. Por isso é necessário olhar para o mercado com olhos humanos, uma das razões pela qual a inteligência artificial, embora poderosa, ainda patina quando o assunto é acertar em uma estratégia mercadológica.

Tenhamos em mente que valor não é sinônimo de preço, mas sim de percepção. Gosto de ilustrar essa ideia com a forma como os cães escolhem seus tutores. Afinal, dizem que a escolha é deles! Entre tantas pessoas ao seu redor, morando em uma mesma casa, um cachorro frequentemente cria uma conexão mais forte com alguém específico. Esse valor percebido pelo animal não está relacionado a quanto dinheiro ela tem ou ao tamanho da casa em que ela mora, mas ao cuidado, carinho e segurança oferecidos. Este é um bom exemplo de valor percebido.

Esse conceito de valor é universal e vale para todos os nichos comerciais. Um pet shop não vende apenas ração; vende cuidado e saúde para alguém que enxerga o animal como parte da família. Um smartphone de alto padrão não se sustenta apenas por especificações técnicas, mas pela experiência e pela confiança associadas à marca. Até mesmo obras de arte, cujo custo material às vezes é irrisório diante do preço final, demonstram que o valor transcende o tangível; ele reside na experiência e na identificação.

Quando o empresário ignora essa dimensão, o marketing se transforma em aposta, o que não combina com gestão. O pai da gestão moderna Peter Drucker costumava iniciar suas consultorias com perguntas desconcertantes: Qual é a principal atividade de sua empresa? Quem é o seu cliente? O que ele considera valioso? Qual deveria ser a sua atividade principal? Sem respostas claras, qualquer ação promocional será apenas ruído.

É aqui que o marketing e a produtividade comercial deixam de ser temas desconexos e passam a integrar a mesma equação. Quando estruturado com base na geração de valor, o marketing organiza a demanda, qualifica oportunidades e cria previsibilidade. Ele reduz o custo de aquisição de clientes (CAC), encurta ciclos de venda e aumenta taxas de conversão. Em termos práticos, permite vender mais com menos desperdício. Isso não é retórica publicitária; é eficiência operacional pura.

Não é necessário um aparato complexo para iniciar essa transformação. Um funil comercial básico, acompanhado com disciplina, já produz impacto significativo. A atração gera interesse; a conversão organiza contatos; o atendimento estruturado estabelece método; e o fechamento consolida a receita. A diferença entre empresas que crescem de forma consistente e aquelas que patinam não está, necessariamente, no tamanho do cheque investido, mas na capacidade de controlar e aprimorar cada etapa desse processo. Indicadores como custo por lead, taxa de conversão e ticket médio não são jargões técnicos para especialistas, mas instrumentos essenciais de gestão. Eles mostram onde há desperdício e onde é possível escalar. Ignorá-los é abrir mão de uma bússola em um mar cada vez mais agitado.

Em um cenário desafiador, a competitividade não reside apenas em oferecer o menor preço, mas na eficiência com que a empresa transforma percepção em receita. A transformação digital democratizou ferramentas: hoje, pequenos negócios têm acesso a recursos de automação antes restritos a gigantes. O que os diferencia agora não é a tecnologia, mas a mentalidade. Assim, investir em marketing não é gasto e sim uma forma de produtividade comercial. É uma decisão estratégica orientada à criação de valor. E o valor, quando cultivado, torna-se o verdadeiro mapa para a produtividade e o crescimento sustentável.

Saibamos, então, resgatar o conceito de valor que se perdeu e compreender o que é o marketing em sua essência, para que tenhamos em mãos um mapa claro não apenas de como ser percebidos, mas de como vender melhor, organizar processos, reduzir desperdícios e construir empresas mais sólidas, eficientes e duradouras. Como diz Kotler, marketing realmente vai muito além de vender; eu diria que é uma maneira de construir futuro.